segunda-feira, março 19, 2012

# 083

o jogo é necessário sem vício ou mesmo com, pois está tudo na regra. mesmo para os que estão de fora, estão dentro. quem joga mal percebe, sente prazer e dor. quanto mais mesas abertas maior a ciência e é linguagem o que encanta o jogador. dormiu sem camisa no feltro verde desbotado, sonhou quatro naipes, dois dados, seis faces cada um. sempre foi assim, por que relançá-los? ganhou de tudo, carro, casa, ergueu igreja, matou um índio, deitou puta, perdeu dois filhos nessa rodada, ficou sem jogar... até isso é jogo. por sorte o morto volta. é sem porquê. embaralhar pra se jogar diferente. não se ganha nem se perde, mesmo quando nos perdemos. muda a rodada, a música e o jogo são a varar a noite. pelo prazer, pelo cigarro, pela dança, pelas coxas, pelo grupo ou só, paciência. por todos os ouros, todas as árvores, espadas e corações. por todas as faces, que são muito mais que seis. é dado sem vício.


ps: ... mais emprestado do que dado...
pps: azar dos que pensam que a vida é luta, morrem em batalha (rs)

3 comentários:

Roney Freitas disse...

buraco

tereza ruiz disse...

buraco é jogo herdado na minha casa paterna, uma das heranças que se pretendem sérias e por definição nunca podem chegar a sê-lo de todo. eu adoro. ;)

Roney Freitas disse...

das mais adoráveis heranças que recebemos. e com coringa no meio! o buraco é fundo