sábado, setembro 24, 2011

# 079

'O manual você segue só até a página quatro. Da cinco pra frente você rasga, joga fora... entendeu?' e batendo palma me mostrou que não tinha reverbe na sala, mas colocou a manta de som porque eu pedi. Não sabia não ser gentil. Falava grosso, te fazia de piada, mas era sempre gentil (principalmente com as mulheres). Corpo tatuado de histórias, da criação da luz até a das abelhas - 'mel dá dinheiro' - e risadas graves de marinheiro viajado que sabe o que brindar. No olhar claro havia nobreza, a nobreza de quem vive intensamente, porque há um brilho que unge o corpo e os olhos de quem se depara com a vida de frente e a experimenta nos póros. Respirar até o fio de cabelo, numa moto em velocidade... há quem leve vidas para aprendê-lo. Mesmo seguindo todos os manuais de ioga, eu nunca vou entender. Obrigado, Cacá. O reverbe não está mais na sala, está em mim.

3 comentários:

maíra vaz valente disse...

"nobreza de quem vive intensamente, porque há um brilho que unge o corpo e os olhos de quem se depara com a vida de frente e a experimenta nos póros" - que beleza!

preciosa história, tanto porque foi verdade, não?

... e continue a escrever, moço, gosto muito!

beijo

Roney Freitas disse...

"tudo o que não invento é falso",
mas foi verdade... foi.

um beijo

maíra vaz valente disse...

sim, pois "Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas."

feliz ano novo!

beijo!